o cuidado que carrego
5:30 da manhã.
Não importa o dia
o cuidado cobra,
o relógio marca.
Padecer no paraíso?
5 meses no paraíso
foi o tempo que levou.
“Não aguentou,
coitado do Sr.”
“Coisa de homem”, disseram.
Agora luta, pede,
implora, ama,
cuida.
5:30 da manhã
Acorda, café, banho,
luta, tá pronta.
“Filho, vamos?”
Olha, entende.
Não responde. Sabe.
Cuidado. Rotina.
Tudo do seu jeito.
Bolsa, mochila, lanche, almoço.
Cordão?
Corre, pega, põe, pronto.
Ônibus, se lota, passa.
Ele não suporta.
10, 20, 30, hora …. e meia.
Entra, tá vago.
Vamo, que já se foi a hora da creche.
Ufa!
Não! Atraso. De novo corre.
Trem, metrô.
Relógio marca.
Atraso, de novo.
nada novo nos olhares,
falam, gritam,
julgam em silêncio…
Ensurdecedor…
banheiro, chora baixo.
Baixo, sempre baixo.
Precisa ter força.
Precisa seguir, cuidar.
Mas quem cuida de mim?
Sai, encara plano de saúde. Cuida?
Nah! aqui não tem porto seguro.
Formulário atrás de formulário.
Nega, pede mais.
Cuidado, cansaço.
Queria ser livre, sair,
viajar, voar,
quem sabe, ver o mar.
Mas é dela,
ama, proteje, cuida.
Não do peso que carrega.
Mas do amor que leva.