Livre pra poder sorrir
Artista: buko
Um recorte no espaço-tempo. Um recorte no espaço-tempo.
Aprecie esse momento em que ela pode ser livre pra poder sorrir. Existir. Viver. Deixando de pensar por alguns minutos na dura vida da mãe solo atípica.
Um momento raro. Beleza ímpar. E o mais importante…
presença.
RESPIRE
O mar resgata o sabor do nome que ela esqueceu em casa.
O vento não pede licença, não pergunta se ela comeu, se os meninos tomaram remédio, se o boleto fechou.
Entra pela roupa leve como se ela fosse uma porta aberta há muito tempo.
Senta na areia. Sem pensar ou planejar. O corpo guia, enquanto a cabeça pesa. Cansada de decidir.
Olha a casa abandonada. Sabe que até lugares cansam de aguentar.
Fecha os olhos.
Sente o sol descer.
devagar…
Toda vez é como se fosse a primeira.
Como se descesse só pra ela. E ali, ele é.
Só dela. Só pra ela.
A brisa do mar sopra como se soubesse que ela precisa disso.
Mas nem a brisa ou o mar sabem. Nem o sol. Só ela. Sabe, e mesmo assim fica.
O verde do vestido bate no tornozelo. A cor que tomou pra si. Não precisa explicar.
“Ficar.” — Ela pensa.
“Quero sair.”
“Deixar o celular na areia.”
“Viajar.”
“Ficar sem pensar.”
“Respirar.”
“Sentir.”
“Chorar.”
“Sorrir.”
“Amar….a mim.”
Não.
Precisa voltar. Já sabe que vai. Nem levantou e a cabeça já está à frente.
Na estrada de volta, contando o tempo, calculando. Jantar. Filhos. Respostas.
O lapso dura no eterno do pouco tempo que tem.
O sol já se foi. E o mar? Ele… ele continua depois.

DESEN/
CAIXE
papel de pão como base.
embalagem de ovo como textura.
espátula como único instrumento.
cores primárias sem mistura prévia.
verniz fosco como pele final.
o impasto registra a força da passada.
E o que fica é presença.
Caibo, recrio-me.
Depois de anos sem pintar, escrever, sonhar. Reencontrei a poesia, o papel, a tela e as cores.
Essa obra é dedicada à minha musa. Antes de ser conceituada já a pertencia.
Prints estão disponíveis, assim como o kit, print algodão + poema impresso em papel especial
edição limitada a 20 · certificado de autenticidade • assinadas e numeradas.
O artista

Usa referencias marginais para a criação. A rua, o centro, a roça, os dados, a musica, a tela. Trabalho que reflete cultura, política, sociedade e arte, revelando essa tensão.
Expressionismo material, que usa como método de “desencaixe”, tirar o comum do seu lugar de conforto. Trazer a tona temas e materiais que ficam à margem da sociedade.