Livre pra poder sorrir
O mar resgata o sabor do nome que ela esqueceu em casa.
O vento não pede licença, não pergunta se ela comeu, se os meninos tomaram remédio, se o boleto fechou.
Entra pela roupa leve como se ela fosse uma porta aberta há muito tempo.
Senta na areia. Sem pensar ou planejar. O corpo guia, enquanto a cabeça pesa. Cansada de decidir.
Olha a casa abandonada. Sabe que até lugares cansam de aguentar.
Fecha os olhos.
Sente o sol descer.
devagar…
Toda vez é como se fosse a primeira.
Como se descesse só pra ela. E ali, ele é.
Só dela. Só pra ela.
A brisa do mar sopra como se soubesse que ela precisa disso.
Mas nem a brisa ou o mar sabem. Nem o sol. Só ela. Sabe, e mesmo assim fica.
O verde do vestido bate no tornozelo. A cor que tomou pra si. Não precisa explicar.
“Ficar.” — Ela pensa.
“Quero sair.”
“Deixar o celular na areia.”
“Viajar.”
“Ficar sem pensar.”
“Respirar.”
“Sentir.”
“Chorar.”
“Sorrir.”
“Amar….a mim.”
Não.
Precisa voltar. Já sabe que vai. Nem levantou e a cabeça já está à frente.
Na estrada de volta, contando o tempo, calculando. Jantar. Filhos. Respostas.
O lapso dura no eterno do pouco tempo que tem.
O sol já se foi. E o mar? Ele… ele continua depois.